M A R I N A S C E U
"Marinasceu e trouxe em si o último céu crepuscular do mês de outubro..." Era então 31 de outubro de 2008 quando às 18:46h Marina nasceu. Com ela nasceu um pai, uma mãe, novos avós e uma rede de parentes e amigos
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
segunda-feira, 13 de maio de 2013
MARINARTES
MARINARTES
terça-feira, 20 de novembro de 2012
NINHOS DE LUZ, NUM FIM DE TARDE
NINHOS DE LUZ, NUM FIM DE TARDE
SEMPRE FOMOS MUITO CUIDADOSOS COM NOSSA MARINA. TANTO QUE PROJETAMOS A CASA DE FORMA QUE ELA SE MOVIMENTASSE LIVREMENTE SEM CORRER RISCOS DE QUEDAS, CHOQUES E DE UMA SÉRIE DE ACIDENTES QUE SÃO COMUNS NO DIA A DIA.
FALAMOS DE NÃO BRINCAR CO
FALAMOS DE NÃO BRINCAR CO
M SACOS PLÁSTICOS, NEM FICAR PERTO DO FOGÃO QUANDO PAPAI ESTIVER COZINHANDO. DISSEMOS PRA NÃO MEXER EM TOMADAS, E QUE FACAS E FÓSFOROS SÃO BRINCADEIRAS DE ADULTOS, E NÃO DE CRIANÇAS. VEM DANDO CERTO!
CERTO DIA ELA PEGOU NUM FIO DA TV, BEM PERTINHO DO PLUG. FALEI PRA QUE SERVIA O FIO E QUE ELA NÃO PODIA MEXER COM AQUILO. SÓ O PAPAI, A MAMÃE E A VOVÓ É QUEM PODIAM LIGAR O DVD.
DIAS DEPOIS, NO CARRO, INDO BUSCAR PATRÍCIA NUM FIM DE TARDE, MARINA OLHA PELA JANELA E PERGUNTA:
- PAPAI, PRA QUE TANTO FIO NO CÉU?
- ANH? – E AGORA... COMO FALAR DE ELETRICIDADE? – RESPONDI A RESPOSTA MAIS CRETINA: É PRA LEVAR LUZ DE UM CANTO PRO OUTRO! TÁ VENDO QUE TEM MUITAS LUZES ACESAS NOS POSTES???
- AH, BOM! EU PENSEI QUE ERA PRA POUSAR OS PASSARINHOS...
CERTO DIA ELA PEGOU NUM FIO DA TV, BEM PERTINHO DO PLUG. FALEI PRA QUE SERVIA O FIO E QUE ELA NÃO PODIA MEXER COM AQUILO. SÓ O PAPAI, A MAMÃE E A VOVÓ É QUEM PODIAM LIGAR O DVD.
DIAS DEPOIS, NO CARRO, INDO BUSCAR PATRÍCIA NUM FIM DE TARDE, MARINA OLHA PELA JANELA E PERGUNTA:
- PAPAI, PRA QUE TANTO FIO NO CÉU?
- ANH? – E AGORA... COMO FALAR DE ELETRICIDADE? – RESPONDI A RESPOSTA MAIS CRETINA: É PRA LEVAR LUZ DE UM CANTO PRO OUTRO! TÁ VENDO QUE TEM MUITAS LUZES ACESAS NOS POSTES???
- AH, BOM! EU PENSEI QUE ERA PRA POUSAR OS PASSARINHOS...
sexta-feira, 9 de março de 2012
BRINCANDO DE SONHAR
conto de mares e piscinas; de quatro palhaços com quatro pirulitos de cores variadas em cada uma das mãos - descrevo as cores. falo de florestas e casas de saguis e de sacis; falo de passeios de barco e voltinhas de bicicleta. ela adora isso!
fiz a primeira vez numa sala de espera. ela estava impaciente! deitei sua cabeça e comecei a descrever um banho de mar, o barulho das ondas e o vento nos cabelos. quando estava no melhor do sonho ela abriu os olhos. eu disse: feche o olho... ainda não acabou!! ela respondeu: o sonho acaba, não é papai?... qué de novo! e eu comecei outra vez... ela mais uma vez abriu os olhos e parecia mesmo que estávamos a sonhar e a acordar, como fazemos quando dormimos. muito real, apesar de estarmos brincando de sonhos!
marina ainda dorme. está azeitando e 'arquitetando' as tiradas de mais um dia.
estou fazendo com ela uma brincadeira que ela adora: mando ela fechar os olhos e deitar a cabeça na minha perna. bem perto do ouvido fico falando com a voz transformada e inventando sonhos como se ela estivesse vivendo-os.
conto de mares e piscinas; de quatro palhaços com quatro pirulitos de cores variadas em cada uma das mãos - descrevo as cores. falo de florestas e casas de saguis e de sacis; falo de passeios de barco e voltinhas de bicicleta. ela adora isso!
fiz a primeira vez numa sala de espera. ela estava impaciente! deitei sua cabeça e comecei a descrever um banho de mar, o barulho das ondas e o vento nos cabelos. quando estava no melhor do sonho ela abriu os olhos. eu disse: feche o olho... ainda não acabou!! ela respondeu: o sonho acaba, não é papai?... qué de novo! e eu comecei outra vez... ela mais uma vez abriu os olhos e parecia mesmo que estávamos a sonhar e a acordar, como fazemos quando dormimos. muito real, apesar de estarmos brincando de sonhos!
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
RECICLAGENS MARINEIRAS
sempre que terminamos, pega dois ou tres para plantar. e dessa vez plantou numa garrafa térmica velha que ia para o lixo. tres dias depois, quando viu o feijão germinando, me deu o maior susto:' papai!!!!... venha ver uma coisa!!!! - do mesmo jeito que faço com ela quando quero lhe mostrar uma novidade.
eu me assutei por q pensei que tinha visto algum bicho que pudesse atacá-la. corri pra ver e eram os feijões nascendo!
são coisas tolas que fazem a alegria de uma criança: desenhar com caroços,apanhar os que caem embaixo da mesa, ouvir o barulho dos grãos caindo e batendo na panela, colocá-los sob a terra e vê-los germinar e nascer dias depois...
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Ouvindo plantas
"Ora (direis) ouvir estrelas!
CertoPerdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto ...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
Fonte: www.jornaldepoesia.jor.br
Olavo Bilac
Fonte: www.jornaldepoesia.jor.br
SÁBADO ACORDO CEDO E VOU CUIDAR DAS PLANTAS...
EU TINHA COLOCADO MINHA RENDA PORTUGUESA PARA TOMAR UM LEVE SOL DAS SEIS HORAS,NUMA NESGA DE LUZ QUE ILUMINA O CHÃO DA SALA. A RENDA PORTUGUESA GOSTA DE SOMBRA!
MARINA CHEGOU, SENTOU NO SOFÁ E DISSE:
- PAPAI, A PANTA QUER SAIR DO SOL!
- QUE PANTA, MAÍNA?
- EEEESSA!!! - APONTANDO PRA RENDA... ELA QUER SAIR DO SOL!
COMO VOCÊ SABE? ELA FALOU COM VOCÊ??
- NÃO, PAPAI. COMIGO NÃO! ELA FALOU COM VOCÊ!!
MARINA OUVE PLANTAS!
segunda-feira, 28 de março de 2011
Minha ação por uma infância sem racismo
menina e vaso de flores
menina e bonecos
Diana
CRIANÇAS E CORES
entrar nessa questão é muito importante e me remonta há alguns anos atrás, quando tinha uma banca onde expunha meus trabalhos de arte: quadros, cadernetas, cartões e outros produtos ilustrados por mim.
Trabalhava com temas folclóricos voltados para o público infantil.
Eu visitava feiras e mercados procurando elementos para meu trabalho: carros de lata, cavalinhos de pau, pião, gaiolas, bonecos de pano, petecas, ximbras e uma infinidade de artefatos...
Bonecos de pano, eis a questão. Eram – são, até hoje - todos feitos com tecidos amarelo nápoles ou rosa claro para as bonecas, e azul bebê ou verde água para representar os pequenos machinhos. Não, não quero falar de machezas ou femininices. Estou aqui para falar de cores.
Passei a representar nos meus quadros e demais produtos, as figuras rosadinhas e azuladinhas.
Até que um dia recebi uma visita da minha prima Ângela Nascimento que me perguntou quase que me colocando preso na parede: onde estão os negros no seu trabalho? Você só pinta crianças brancas, rosadinhas e pálidas? Tentei me justificar dizendo que representava o que eu via nos mercados, mas acabamos me convencendo de que o mundo era feito de muito mais cores reais. Com isso, passei a colocar mais ‘melanina’ nos meus bonecos. Ficaram mais bonitos! O conjunto ficou mais harmonioso com a miscigenação e eu... parei de vender!! Pois é! Minhas vendas caíram vertiginosamente e assim permaneceram até que parei de seguir essa linha, não por esse motivo, mas por outros.
As pessoas chegavam, achavam tudo lindo, mas... Não levavam! Até que eu descobri o motivo: a presença das crianças morenas e negras. Ouvi isso de uma turista que disse de si para si, olhando um dos meus trabalhos: ‘que pintura linda... pena que a minha filha não vai se identificar com essa menina negra’. Ela não falou para mim, mas eu escutei e retruquei: minha senhora, essa boneca pode se tornar a melhor amiga da sua filha... Ela deu de ombros e foi embora.
Pintei várias representações de pastoril – folguedo alagoano – com as rosadinhas. Vendi todas! Fiz um e tive a ‘ousadia’ de colocar a Diana – figura central – negra. Esse ficou comigo até ser comido por uma cambada de cupins que invadiu minha casa
Noutra ocasião eu tinha um quadro com três crianças comendo doces, uma delas um menino bem escurinho. Lindo o trabalho, super colorido! Todo mundo que passava parava em frente a ele. Até que uma pessoa me disse: esse menino ai no meio me incomoda. Era ele!
Meu vizinho de banca que sempre estava por perto ouviu isso e, quando a mulher saiu, me falou: Paulo, pinte esse menino de galego, rapaz. Esse quadro já era pra ter sido vendido. “Passuma” tinta por cima dele e vende essa ‘fulerage’. Eu respondi que naquela hora eu não estava fazendo comércio, estava, ao observar esse mecanismo, fazendo arte e história.
Vivi isso inúmeras vezes, mas o que mais me intrigou foi o fato de eu tentar contato com vários e vários e vários jornalistas, não só daqui de alagoas como em outros lugares, para abordar esse assunto e todos se negaram a escrever uma só linha sobre isso. Nunca consegui fazer uma matéria sobre esse tema.
Encontrei essa postagem acima no blog da minha esposa. Resolvi entrar na questão, relatando uma experiência que me aconteceu:
quinta-feira, 3 de março de 2011
CACHORRO LEÃO
Hoje, manhã, céu azul e um sol recém nascido prenunciando tempo bom, olhei algumas nuvens e me deixei levar pelo vôo de um pombo, leve e madrugador.
Um arremedo de choro transportou-me de volta ao quarto: Marina minha filha de quatro meses de idade, acabara de acordar e, como em todos os outros dias, me chamava mais uma vez com seus ininteligíveis, mas, para mim, completamente compreensíveis balbucios.
Passei por ela e fui lhe preparar uma mamadeira, pensando em depois levá-la para um passeio na praia, afinal o dia convidava. E assim nós fizemos. Já arrumada, mamou, arrotou, sorriu e saímos. Seus olhos vivos não perdiam um só detalhe de tudo que se passava à nossa volta: nossas plantas nas caqueiras, o descer as escadas, as cores das paredes, as roupas no varal, o abrir de cadeados e portas e até os reflexos dos nossos rostos nas vidraças do carro.
Já na rua, as pessoas. Umas passam e nem olham, sobretudo os homens. Crianças sempre olham com curiosidade para o bebê passando ao lado. As mulheres, quase todas, olham e dão um ar de riso e até arriscam perguntar alguma coisa como o nome, o tempo de nascimento e se é menino ou menina aquela pessoinha.
Chegamos à praia. O céu continuava azul e o sol já se espalhava pra arder. O mar estava calmo, com seu barulho, quase um acalanto. Eu podia ouví-lo de longe. Alíás levo minha filha para a praia para tomar o recomendado banho de sol, mas o meu intuito mesmo é levá-la para ouvir o som do mar e é impressionante o efeito causado nela pelo marulhar: ela dorme como nunca consegue dormir em casa. Ela ri pro mar e adormece. Mas, não hoje. Notei que estava, desde que saímos de casa, tensa e inquieta e eu sem saber porquê. Tive a resposta quando olhei para o lado. Vi, com uns vinte, trinta metros de nós, um sujeito de estatura alta, musculoso e malhado, vestindo uma camiseta e uma bermuda coladas, trazendo em uma das mãos uma coleira, uma guia de cães e uma banda de casca de coco verde que arremessava com força para seu cão ir buscar. O rapaz “brincava” com seu PITTBULL, completamente indiferente às pessoas que, como eu, ousaram dividir o espaço que ele julga ser só dele e do seu cão.
Imediatamente retornei para a calçada e quase encerrei o meu passeio, imaginando o que poderia acontecer com uma pessoa com uma criança de quatro meses no colo, caso o animal – o de quatro patas – cismasse de vir pra cima dela. O que se faz numa situação dessas? Ser mais um “acidente” que aparece nos jornais todos os dias? Todos os dias aparecem nos noticiários, vários ataques dessas bestas – e não me refiro só aos cachorros, mas principalmente aos seus donos – estraçalhando crianças, idosos ou qualquer outra pessoa que passe em sua frente. E essas bestas vêem televisão e não aprendem nada e nunca.
Marina tem quatro meses. Tenho uma outra filha, Savana, e hoje ela tem vinte e três anos. Quando ela tinha a mesma idade que a irmã tem agora, levei-a, como fazia todos os dias, para ouvir o mesmo som do mar. Desta vez me deparei com o cão da moda na época, o chamado dobermam. Seu dono o soltara também para brincar como se a praia fosse o seu quintal. Ele veio disparado em nossa direção, soltando baba para todos os lados deixando-me desesperado sem saber o que fazer. A minha sorte foi ter lembrado uma oração que a minha avó me ensinou quando eu era menino, que me salvou e que agora passo pra vocês. Ela dizia assim: “cachorro leão, Jesus Cristo morreu na cruz por mim, por ti não”. A oração, como minha avó me ensinara, era pra ser repetida por três vezes e ela garantia que cachorro nenhum me atacaria. Deu certo! O cão não nos mordeu. Deu uma volta em torno de nós e voltou para o seu dono nos olhando com uma expressão de completo desprezo. Reclamei com ele, o animal de dois pés, que ainda se achou no direito de ficar com raiva de mim porque pedi que prendesse a sua arma.
Caso alguém saiba de alguma oração que tenha algum poder sobre esses criadores não de cães, mas de casos de abuso de espaços públicos, divulgue. Assim evitaremos tanta dor a pessoas que passeiam para ouvir o som do mar, estão em seus terraços ou simplesmente em suas calçadas apreciando um simples volteio de um pombo madrugador.
Paulo Caldas
terça-feira, 1 de março de 2011
Marina sempre teve um ímã com meus olhos. Irmã gêmea da lua nova, eu não parava e até hoje não paro de olhar pra ela. Sigo-a o tempo todo.
Quando menos espero me pego ‘como encantado’ olhando para ela. Um dia, num desses olhares, captei esse universo:
BRILHO DE OLHAR LUAR
Marina gente, reluzente,
Menina estrela cadente,
Lua nova e sorridente
Que o céu me deu de presente
Numa noite que pra mim
Virou noite de natal
Marina de olhar profundo
Profuso braço de mar,
Rio, laguna, lugar,
Canoa, remo, lagoa,
Leda sede navegar
Marina pele vermelha,
Marina da cor de telha
Rosto impresso, a sumo de cerejeira
Boca rubra como broto de roseira
Marina da cor azul,
De contra mestra vestida
Aplaudida no palanque,
Na chegança e cantoria
Marina do mar bravio
E cheiro de maresia
Cais de porto de anjos,
Cais de pouso de garças,
Véu de noiva desenhado
A espumas de barcaças...
Desabrocho de cardumes de flor d’água
Marina de balbucios,
De espreguiços e sonos
De difícil acordar
Marina de fome solta, galopeira,
Difícil de aplacar
Marina praia marinheira,
Chapéu de palha brejeira,
Maré vazante, maré forte
Marina da maré cheia,
Translucidez de escamas,
Canto e encanto
De remanso de sereia
Marina dia de pescaria,
De peixe bom e calmaria
Arremesso no verão
Ao som da arrebentação
Marina tarde, de por do sol,
Ranger de rede no coqueiral
Balançando no quintal
Na hora do descansar
Marina noite, vento nordeste
Marina brilho de olhar luar
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
P I N C É I S E T U R Q U E S A S
É interessante perceber a relação entre a arte e o tempo.
Fiz esse poema e esse espantalho há mais dez doze anos e, hoje, convivendo com Marina, percebo que eles são a sua cara e ela é a cara deles...
Marina é por natureza cheia de trejeitos, caras e bocas. É alegre e brincalhona e adora pregar peças e flores em mim. Gosta de bichos, de pássaros, plantas, papéis, lápis e de todas as cores. Gosta de tintas e letras, de música e dança. Adora um batuque e uma folia...
Espantalho palhaço
Apareceu no meu jardim,
Espantalho mil cores
Plantando flores em mim.
Contando piadas,
Batendo palmas,
Divertindo a passarada...
Corriam, gritavam,
Sorriam, saltavam,
Crianças em torno de si,
Pincéis, amarelos,
Papéis e turquesas,
Vermelhos do claro ao carmim.
Os verdes surgiam, cascatas ruidosas,
Das copas frondosas aos finos capins.
Gostava de dançar samba,
Valsa, polca, tudo enfim,
Forró, maxixe, quiabo,
Arroz, feijão, sapoti,
A dança das margaridas,
Xaxado ao som dos flautins.
Dobrados não eram seu forte,
Nem o som dos clarins.
Manobras de vida
Vibravam em seu peito
Em luas de prata e sóis de cetim
Lápis de cor, rabisco, carvão
Eram bandeiras trazidas nas mãos.
Recheios de palha em roupas de chita,
Chapéus coloridos, retalhos, remendos,
Zigue-zague, sianinhas, costuras, linhas,
Compondo em mil partes o todo de mim.
estava indo para casa, quando lembrei de minha avó, das histórias que contava e seus personagens... para onde foi dona onça e o compadre macaco?
de repente me dei conta de que se foram quando ela se foi. lembrei de Marina e me perguntei:
VÓ, CADÊ VOCÊ ?
Onde, nos dias de hoje, estão
Os castelos e sultões,
Armadilhas, conclusões,
Fadas madrinhas, lobos vilões,
Estórias mágicas
De donzelas, caraíbas
Lobisomens e ladrões?
Rapunzel de chapeuzinho
Vermelho casca de figo,
Desafios e mendigos,
Andarilhos matreiros,
Beduínos guerreiros,
Valentes aventureiros
Contando suas façanhas,
Levando-nos a visitar
Terras longínquas,
Paisagens estranhas,
Deslumbrantes cenários
Tão bem representados
Por você...
Onde estarão dona onça,
A raposa e o saci,
A tenaz tartaruga, o ladino sagüi
A caipora, a índia tapuia,
Fogo fátuo, o banho de cuia,
A botija e o curupira?
Onde estão os curumins?
O urso feroz, a lebre veloz
Que perdeu a corrida
Mas fugiu do gavião,
Ao seguir os conselhos
Do sábio corujão?
Onde estarão o rei,
O conselheiro e a rainha?
Compadre macaco, João e Maria,
Filhos sumidos e reencontrados
Assegurando-nos um final feliz
E um sonoro pedido de bis:
Conte de novo, conte outra vez
Aquela estória da galinha pedrês
Da baratinha solitária
E seu noivo dom ratão,
Destemperado glutão
Caindo panela adentro,
Trocando seu casamento
Por um pouco de feijão.
Por falar em rato,
Assim como fez
O ratinho da historia
Desmanchando as redes
Que prendiam o leão,
O tempo desfez as tramas
Que atavam nossas noites
Em horários mais fiéis
Que os tais horários nobres
Da tal de televisão
Nossa “tela” era você
Chorava, sorria,
Tinha dor e alegria.
Nossa “tela” sentia.
Cacarejava e latia,
Rosnava, miava,
Rastejava tal serpente
Insuflando na gente
O dom de interpretar
Brandia ira de deuses,
Espadas de soberanos
Às vezes bonzinhos,
Às vezes tiranos.
Corre-corre la cuchia
Que é de noite que é de dia.
Malazarte, carochinha,
Polegar, gato de botas...
Sete léguas de alegria
Nas tramas da fantasia.
Quem não sabe vai pra forca,
Quem sabe ganha vintém,
Casa com a princesinha
É feliz como ninguém.
Entrou na perna do pato,
Saiu na perna do pinto.
Seu rei mandou dizer
Que você contasse mais cinco.
Vó, cadê você?
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
MARINAMESA
arriscamos! colocamos com muito medo uma colherinha de pirão na boca da marina e ela comeu quase o pirão inteiro... aguardamos uma reação e nada aconteceu. daí liberamos tudo e vimos o que temos em nossa casa:
Marina come acerola,
Marina come kiwi,
Com melão e laranjada
Toma suco de açaí
Toma suco de caju,
Araçá, maracujá,
Tamarindo e marmelada
Sorrindo chupou limão
Com carne seca e salgada
Raspadinha vermelhinha,
Daquela que tem na praia
Bem docinha, bem gelada
Amarela de mangaba,
Verde quase limonada
O gelo doe na cabeça
Ela diz que não foi nada
Se brincar ainda encara
Trinta goles de umbuzada
Marina come mamão,
Goiaba e jabuticaba,
Pitanga verde ou madura
Lambuzar de manga espada
Siriguela com morango,
Jaca mole ou jaca dura
Picolé de qualquer gosto
Sorvete de rapadura
Um dia viu jenipapo
Desmaiou de alegria,
Tornou e bebeu correndo
Uma poncheira de sangria
Daquela feita com água,
Uva, “açúque” e latumia
Suco de couve, nem fale
Pra ela é “mermo” que queijo
Juntou caldinho de peixe
Não sobra nem o sobejo
Chuchu, jiló, berinjela?
Come, como quem toma fresca,
Bem fresquinha na janela
Biscoito de todo tipo,
Bolacha seja qual for:
Creme “craque”, salgadito,
De dieta ou recheada,
Cachorro quente ou gelado
Tareco duro danado
De sabor adocicado
De calor, meio queimado
Avermelhado na cor
Com ela não tem conversa
Nem palavra complicada
Dá logo de goleada
Naquele chamado “laite”
Num que chamam de “ueife”
Com outro que chamam “daite”
E um chamado “champãe”
Toma um copo de chá mate
Dizendo dá mais, mamãe
Uma tal de sete capas
Seca, seca, quebradiça
Com ela não tem preguiça
Com ela não tem mamata
Só tem dois “dente” a danada
Mas valem por uma arcada
Quando mordem desmantelam
Chambaril, bife ou rabada
Dois bichinhos competentes
Traçam o que tiver na frente
De remédio a uva passa
Remédio pra ela é graça
Se eu deixar toma de pote
Como se fosse caldinho
De sururu de capote,
Garapa, caldo de cana
Ou suco de melancia
Compota de cajarana
Maçaranduba e folia
Marina comeu maçã
E um taco de tapioca
Tomou água de um coco
Com doce de carambola
Cuscuz com ovo e granola
Seis bandas de sapoti
Três postas de abacaxi,
Beterraba e graviola
Um dia saiu de casa
Pra comer uma cocada
Ao chegar lá na bodega
Vendo tacho assando doce
Gritou pra dona da casa
Falou fosse pra quem fosse
Tão me matando de fome
Tão me deixando azoada
Por favor, dona Maria
Dá-me logo essa fornada
Pirão de peixe é com ela
Munguzá que maravilha
Feijão, angu, arroz doce
Azeitona com ervilha,
Sardinha trazida fresca
Lasanha comprada pronta
Come, come e fica tonta
Marina não se amedronta
Nem tampouco se apoquenta
Manda um prato de polenta
Mil migalhas pela mesa
Só se manda pro terraço
Quando lhe dá na tristeza
Assim é minha marina
Menina boa de garfo,
Colher, faca e panelão
Não lhe venham com pratinho
Nem pouquinho, nem poucão
Ela quase fica louca
Grita, chora e esperneia,
Fica braba, muito mansa
Feito siri na balança
Quando a gente não entende
Que ela quer encher a pança
Pudim com creme de leite,
De pão, biscoito ou pavê
Nunca vi teretete,
Chega dá gosto de ver
É só chegar e comer
Milho verde com pipoca
Banana assada e paçoca,
Amassadas com aveia
Se deixar, essa menina,
Vai comer até areia
TIM, TIM
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
(numa foto de patrícia nana tenta 'pacientemente' fazer marina dormir )
O CHORAR DE MARINA
Marina quando ‘pequeniníssima’, ficou famosa nas redondezas de casa pela força do seu chorar. Chorava com vontade de se instalar numa companhia de ópera de nível internacional. Todo mundo já conhecia seu choro, inclusive as catengas de um muro em frente à casa. Um dia, por coincidência, ela deu uma chorada repentina e uns calangos desavisados correram atabalhoados cada um pro lado que desse...
CHORAR DE MARINA
Quando chora,
Marina contorce à face
Um rugido de leão.
Lembro um pintinho
Em seu beicinho que parece
Polvilhado de limão
Quando chora,
Marina ganha o mundo sem sair daqui:
Lembro o canto solitário da jubarte
E algazarras coletivas de sagüis...
A imitar cabritinhos, papagaios,
Mergulhos de colibris,
Cambaxirras, cabriolas, piruetas de sacis,
Seu choro azoa a vizinhança,
Dispersa o revoar dos pombos,
Dispara a correria dos calangos,
Desaninha o repousar da juriti...
Desperta a fogo pagô
Os gritos do gaturamo,
Saíras, canarinhos e tucanos...
Completa a festa a gritaria de araras
Imitadas por seu pranto
De fome, dengo ou de sono
Ando, canto,
Enlaço um acalanto
Para lá e para cá
Tendo no colo um filhote
De gato maracajá
Arranha meu peito,
Morde meu braço,
Baba todo meu abraço
E num leve descompasso
Ao leito ajeito seu cansaço
E somos dois a dormir...
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